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08 de janeiro de 2021

Catarata Infantil: o que eu devo saber para evitar a cegueira no meu filho?

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Por Dra.Carolina Hammes Torres, oftalmologista pediátrica e mestranda do MESP-MI/UFF, prof. Dra.Gesmar Volga Haddad Herdy, pediatra e docente da Faculdade de Medicina da UFF, e Dra Andrea Araújo Zin, oftalmologista pediátrica do Instituto Fernandes Figueira/Fiocruz*

Na maioria das vezes quando falamos em catarata só pensamos no idoso. Mas esta doença pode também afetar os bebês ao nascimento ou nos primeiros meses de vida, sendo chamada de catarata infantil. Essa doença, quando não tratada precocemente, pode causar deficiência visual permanente na criança e levar a cegueira.

No Brasil, estima-se que 4 a cada 10.000 crianças apresentam diagnóstico de catarata ao nascimento, sendo responsável por até 14% dos casos de cegueira na infância. Assim o diagnóstico precoce é muito importante para tentar evitar que evolua para cegueira.

A catarata ocorre quando uma lente transparente que existe dentro do olho, chamada de cristalino, fica opaca, como se fosse um vidro embaçado ou uma lente de óculos suja, prejudicando a visão. A doença pode afetar um ou os dois olhos.

A catarata infantil interfere no desenvolvimento visual da criança, pois o bebê quando nasce não tem a visão completamente desenvolvida como o adulto e qualquer alteração que dificulte a visão nessa fase da vida pode levar à cegueira irreversível se não tratada prontamente.

Existe um teste chamado “teste do reflexo vermelho” ou “teste do olhinho”, que é realizado pelo pediatra logo após nascimento do bebê, e ao longo das consultas dos primeiros anos de vida. O estado do Rio de Janeiro foi pioneiro no Brasil no rastreio da catarata na infância. A Lei Estadual Nº 3.931, de 5 de setembro de 2002, instituiu a obrigatoriedade da realização do Teste do Reflexo Vermelho em bebês ainda nas maternidades, facilitando o diagnóstico precoce da catarata. Quando o reflexo vermelho está alterado, pode-se suspeitar de catarata. Neste caso, o pediatra solicita uma consulta ao oftalmologista que poderá ou não confirmar o diagnóstico.

Nem toda catarata precisa de cirurgia. Somente o médico especialista- o oftalmologista poderá definir o tratamento correto, se haverá ou não necessidade de cirurgia. A cirurgia precisa ser realizada sob anestesia geral devido à pouca idade do paciente. Dependendo da idade e do caso pode-se ou não colocar uma lente intraocular na primeira cirurgia. Se não houver indicação dessa lente, devem ser prescritos óculos ou lente de contato logo após a cirurgia para correção do grau elevado pela falta do cristalino.

Após a cirurgia o tratamento não está finalizado, deverá continuar, sendo voltado para o desenvolvimento da visão. O olho com catarata desde o nascimento até os primeiros meses de vida tem sua visão prejudicada e, na maioria dos casos, necessita de estímulo extra para se desenvolver. Para isso deve ser usado o tampão, até no mínimo, sete anos de idade.

A criança com diagnóstico de catarata ainda pode desenvolver outros problemas nos olhos como estrabismo ou glaucoma. Estrabismo é o desvio dos olhos, pode ocorrer em um grande número de crianças que apresentaram catarata e pode precisar de cirurgia para seu tratamento. O glaucoma é o aumento da pressão ocular, que precisa ser tratado com colírios ou até cirurgia.

Desde 2004, funciona na cidade do Rio de Janeiro o Instituto Catarata Infantil, uma organização não governamental sem fins lucrativos que atende, prioritariamente, crianças com diagnóstico da catarata infantil. O atendimento é voltado para famílias de baixa renda que não possuam plano de saúde. A triagem para tratamento é feita através de entrevista social e pacientes de todo o estado são atendidos pelo projeto.

A catarata infantil é considerada uma causa evitável de deficiência visual. Por isso é muito importante que quando há suspeita de alteração do reflexo vermelho, ou mesmo se a família notar alguma mancha branca nos olhos do bebê, que procurem logo um atendimento oftalmológico ou conversem com o pediatra. Sabe-se que as chances de sucesso para o desenvolvimento de uma visão normal são maiores quando o tratamento é iniciado precocemente.

Fonte: O Fluminense