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19 de agosto de 2020

Problemas oculares relacionados a grupos étnicos: verdade ou mito?

Muito se fala sobre o papel do envelhecimento na nossa saúde ocular, mas determinações genéticas também trazem maiores riscos a grupos populacionais específicos. Em um país tão ricamente miscigenado e multicultural como o Brasil, muitos de nós sequer sabe a etnia de sua ascendência, mas certos fatores são importantes quando levamos em consideração a saúde dos olhos.
Certos grupos populacionais têm maior risco para determinadas doenças, e isso se deve à predisposição genética.

Em recente estudo publicado pela Academia Americana de Oftalmologia (American Academy of Ophthalmology), pesquisadores afirmaram que há comprovação de que latino-americanos com ascendência negra têm maior incidência de pressão ocular elevada

– fator de risco para doenças como o glaucoma: quando comparada a outras etnias, pessoas de descendência negra tem até quatro vezes mais predisposição a desenvolver o glaucoma, devido à pressão intraocular mais elevada. Além disso, o documento também afirmou que, ao comparar com americanos de origem caucasiana, notou-se que pessoas com ascendência africana ou latina têm maior propensão a desenvolver doenças como retinopatia diabética e, até mesmo, catarata.

Outros estudos alertam para o crescimento da população míope no mundo

– em percentuais maiores entre os jovens asiáticos. Embora afirmem que o crescimento do número de casos tenha entre suas causas as alterações de comportamento e do ambiente (e o excesso de tempo de jovens e crianças fixados nas pequenas telas de telefones, tablets e computadores seja pontado como um fator importante), especialistas acreditam que a genética tenha um papel no desenvolvimento da miopia.
Alguns especialistas debatem, porém, o papel real da genética na predisposição a doenças, considerando-a apenas uma das variáveis para se determinar o aparecimento de enfermidades. No entanto, independente de fatores genéticos ou envelhecimento, é importante estar atento à sua saúde ocular, quando pertencente a grupos considerados de maior risco.
Doenças como o glaucoma não apresentam sintomas até estar em estágio mais avançado, quando o tratamento torna-se muito mais difícil e já não se pode mais reverter os danos causados à visão. Consultar-se com um médico oftalmologista regularmente, é a única forma de prevenir e diagnosticar precocemente problemas oftalmológicos que podem levar à cegueira.
Para pessoas de grupos populacionais com maior predisposição genética a desenvolver doenças relacionadas à visão, ou que tenham casos de doenças oftalmológicas na família, o acompanhamento regular com um oftalmologista é indispensável.

Fonte: Revista Veja Bem - Conselho Brasileiro de Oftalmologia